Fonte: https://cbn.globo.com – Por Guilherme Muniz, Adrielly Kilryann* e Maria Cecília Dallal
Buscando mais segurança, mas sem poder pagar por um carro zero quilômetro blindado, o mercado de carros seminovos também está aquecido no Brasil, com alta de 15% em apenas uma plataforma de anúncios.
A executiva de administração e marketing Larissa Denis mora no litoral de São Paulo, mas precisa circular pelo centro da capital paulista devido ao trabalho dela. Como teme ser assaltada nessa região, decidiu comprar um carro blindado. Para contornar o alto custo e fazer o plano caber no bolso, decidiu comprar um carro seminovo blindado.
“Eu prezo muito pela segurança. Um carro blindado ele tem ele realmente é um investimento, um custo muito alto. Então, são escolhas que você faz na verdade, né? Pode ser um carro novo, mas se eu tiver que fazer uma escolha entre ter um carro novo 0km para eu andar e ter um carro seminovo blindado. Eu prefiro um carro seminovo blindado.”
Levantamento feito pela plataforma Webmotors a pedido da CBN indica que as buscas por blindados seminovos nos quatro primeiros meses de 2025 subiu 15% no Brasil, num ritmo mais acelerado do que o crescimento de buscas por carros novos blindados.
Também aumentou a quantidade de brasileiros que decidiram blindar o próprio carro que já está em uso, algo que não era tão comum anos atrás.
Só na blindadora em que Everton Kurdejak é vice-presidente comercial, a blindagem de carros seminovos, que antes representava 10% dos negócios, chegou a um quarto das vendas.
“A complexidade da blindagem é exatamente igual um carro zero quilômetro. A única particularidade que a gente toma cuidado e avalia é se o carro é muito antigo. Então se é um carro muito antigo, às vezes tem pessoas que gostam de passar 10 anos com o carro, 8 anos com o carro. É uma demanda bem baixa para carros muito antigos, mas acontece.”
A empresa estima que as vendas gerais aumentaram 30% no primeiro trimestre deste ano.
A blindagem mais comum no Brasil custa cerca de R$ 80 mil.
Marcelo Silva, presidente da Abrablin, destaca que de 1990 para cá o perfil de consumidor que blinda um carro migrou da classe A para a classe média e confirma que isso tem criado o novo mercado de blindados usados.
“Naquela época, quem blindava um carro não tinha como vender esse veículo depois usado. Um blindado usado era um mico, ninguém queria. Hoje existe um mercado muito aquecido para os seminovos. Então, quem tem sem blindar, hoje tem uma certeza que ele vai ter liquidez na revenda dos seminovos. Então, isso também motiva”.
Entre janeiro e meados de maio deste ano, foram blindados mais de 13 mil e 200 carros no país, segundo dados da Associação Brasileira de Blindagem levantados a pedido da CBN. O número representa praticamente o total de blindagens dos seis primeiros meses de 2023.
