
Por Anderson Castro – Locatti Amortecedores e Molas a Gás | Especial para a EXPOBLINDAGEM
Mais uma viagem à China: o que o futuro da indústria automotiva revela para o mercado de blindagem
Minha viagem à Automechanika 2025 em Shangai foi uma experiência que mudou minha percepção sobre os rumos da indústria automotiva global — especialmente sobre como essas transformações impactam diretamente o setor de blindagem.
Me juntei aos mais de 250 mil visitantes, vindos de 190 países, que precisaram se organizar para visitar os 7.465 expositores espalhados em 383.000 m² no maior encontro da cadeia automotiva mundial.
Esse artigo, inclusive, nasceu de uma provocação da EXPOBLINDAGEM, que, assim como a Locatti, está constantemente atenta às inovações e aos movimentos que podem redefinir o mercado de blindagem automotiva nos próximos anos. A reflexão é simples: o que está sendo desenvolvido hoje nas grandes potências industriais será, em pouco tempo, a nova realidade do nosso setor.
Uma das transformações mais evidentes que observei foi no mercado de reposição de motores. Em 2023, a comercialização ainda era muito focada em componentes separados. Em 2025, a tendência já é clara: motores completos, montados, testados em bancada e prontos para aplicação. Para o setor de blindagem, isso tem um impacto direto, pois a padronização e a confiabilidade desses conjuntos abrem espaço para projetos mais previsíveis de reforço estrutural, recalibração de suspensão e compatibilidade com o peso adicional dos veículos blindados.
Mas o ponto que mais me chamou atenção — e que considero estratégico para o nosso segmento — foi a evolução das molas a gás.
Na prática, o que vi foi um salto tecnológico relevante: materiais mais nobres, vedação muito mais precisa, controle aprimorado da pressão interna e soluções voltadas especificamente para aplicações de alta carga. Enquanto em mercados como o brasileiro ainda é comum adaptar molas a gás originalmente pensadas para veículos convencionais, na China já existem linhas dedicadas a veículos com peso elevado, como elétricos pesados, SUVs reforçados e veículos especiais. Para o mercado de blindagem, isso é extremamente relevante.
As molas a gás deixaram de ser apenas um acessório e passaram a ser um componente estrutural de funcionalidade. Em portas, porta-malas e tampas de compartimentos reforçados, a diferença entre uma solução comum e uma solução de alta performance é clara: suavidade na abertura, controle de torque, maior durabilidade e uma experiência de uso muito mais segura para o cliente final de veículos blindados.
Outro ponto que impressiona é a frota chinesa de veículos elétricos e híbridos, que já ultrapassa a marca de 70% do total de veículos em circulação. Isso cria um novo desafio para o mercado de blindagem: esses veículos são mais pesados por natureza, devido ao conjunto de baterias, e extremamente sensíveis a alterações estruturais. Ou seja, blindar um carro elétrico exige não apenas mais tecnologia, mas também componentes auxiliares muito mais precisos — e as molas a gás entram novamente como parte fundamental dessa equação.
A infraestrutura de recarga na China é ampla, eficiente e bem distribuída, o que torna viável o uso massivo desses veículos. E, paralelamente, os carros autônomos já circulam em projetos reais de expansão, o que antecipa um novo paradigma: veículos que, além de serem blindados, precisarão manter intactos seus sensores, câmeras e radares. Isso exige que o setor de blindagem evolua para soluções cada vez mais integradas e “transparentes” tecnologicamente.
Ao final da viagem, ficou claro para mim que a China não está apenas acelerando a indústria automotiva — ela está redesenhando o futuro do mercado de blindagem. E quem atua nesse setor precisa observar esses movimentos com atenção, porque o que hoje é tendência lá, em pouco tempo será exigência aqui.
